Sexta-feira, Setembro 30, 2005





Tantas horas, tantos momentos...
Às vezes paz, às vezes, nervos à flor da pele...
A violência do viver desacelerado...
Uns reclamam da rapidez de certas coisas,
poucos sabem do tormento da calmaria;
calmaria que se transforma em desespero,
desespero que domina todo o sempre.
Tristes manhãs frias de Curitiba...
O vento racha a face, e a vida,
feita de rocha, congela o próprio viver.
Meus sonhos são os mesmos,
meu norte - distante ou próximo? - é o mesmo,
meu sabor de sentir tudo como lindas imagens icônicas
é o mesmo. Mas os outros...
Saberão os outros o que me banha o existir?
Terão elevação para tanto?
Desprezo por ser mais alto,
incomoda-me o comum, o normal de tudo.
Congelo-me, meio feliz, na baixa temperatura e na vida,
Percorro os imaginários próprio e alheio,
e, sempre, sonho e sonho e sonho...





Por: Cláudio Bettega - 2:57 PM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Setembro 29, 2005




dói-me a cabeça engripada. dói-me a garganta. dói-me a coluna. mas, sobretudo, dói-me a alma por estar perdendo um ensaio teatral!!!!!!!!!



Por: Cláudio Bettega - 3:12 PM :: | Toque o seu acorde
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Quarta-feira, Setembro 28, 2005




Andei tendo umas mudanças na minha vida teatral. Devido à falta de grana, saí de uma das escolas em que estava. Como já fazia parte do Pé no Palco desde o ano passado, optei por sair d'Os Saltimbancos, mas lá ficaram amigos queridos com os quais um dia gostaria de voltar a trabalhar. Ao mesmo tempo, tive o convite do meu diretor do ano passado, Alexandre Bonin, para fazer parte da peça de fim de ano da turma Trufas, que sempre achei uma fofura. Entrei em substituição a um aluno que saiu por estar muito atarefado. Já estamos ensaiando, entrei no meio do processo mas, com gente talentosa ao meu lado, já estou conseguindo me adaptar. Quanto à minha turma oficial, Os Idiotas, trabalharemos mesmo a questão de desenhos animados, talvez usando diálogos de filmes e incorporando a linguagem dos desenhos. Estávamos pensando num projeto diferente e muito bacana, que se utilizaria de várias referências de filmes, desenhos e quadrinhos, mas ficou grande para o tempo que temos, então foi postergado para o ano que vem. O Teatro é meu pastor, a Arte não me faltará.





Por: Cláudio Bettega - 8:45 AM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005






queria saber escrever coisas legais cheias de rimas sacadas danadas et ceteras e tais mas fico nessa onda nada redonda de bobeiras vãs vertento minhas particularidades malsãs dizendo tudo que não sei e que não aprenderei reles perdido metido a bardo reles carregador do fardo de ser medíocre no saber um esfomeado etíope ah sol meu brilhe nessa bobeira de rimas fáceis nessa baboseira de imagens voláteis um dia quem sabe eu consiga a liga na mente que me tire do estado dormente e me faça escrever com graça





Por: Cláudio Bettega - 2:09 PM :: | Toque o seu acorde
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Terça-feira, Setembro 20, 2005




"... a noite mãe do dia/molhava tua boca/ na língua da poesia..."






Por: Cláudio Bettega - 10:57 AM :: | Toque o seu acorde
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Sábado, Setembro 17, 2005




"... murmurando na chuva como um refrão..."





Por: Cláudio Bettega - 5:52 PM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Setembro 16, 2005






caminho desacorçoado
por um veio úmido
de viela escura
procuro um resto
de resto
que me diga
que presto
que não sou apenas
um nada
de voz solenemente
calada
pelo sofrer agudo
interminável
miserável vida
não recebo
acolhida
quero uma paz
desoprimida
quero a luz
quero (o) ser

02.09.2005





Por: Cláudio Bettega - 10:11 AM :: | Toque o seu acorde
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Segunda-feira, Setembro 12, 2005




VERSOS PERDIDOS



as frases são minhas
as verdades são tuas
enquanto te desejo
me vejo chorando no meio da rua
beijo teu sorriso num dia de sol
que entra pela porta
e canta pela janela

a noite mãe do dia
molhava tua boca
na língua da poesia
oh meu grande amor de versos perdidos
murmurando na chuva como um refrão
que só faz sentido
no fundo da cama



Por: Cláudio Bettega - 11:59 AM :: | Toque o seu acorde
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Sábado, Setembro 10, 2005




Bordas em tatuagem o nome do meu amor no teu braço que me abraça em sol. Beijo-te a boca e sinto o pulsar do teu coração nos lábios/carne de paixão. Meu peito é teu como todo o meu eu, meu lenço enxuga a lágrima da emoção de ser o teu pão. Quero o teu destino como meta de vida e suor, quero a estrada reta refletida no espelho da minha rotina maior.





Por: Cláudio Bettega - 5:23 PM :: | Toque o seu acorde
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Em estrelas diversas, pedaços do meu corpo, em versos, se espalham pelo universo. Meus músculos latejam o latejo da criação inversa ao bombar do sangue imerso em glóbulos de paixão. Quero percorrer todas as quadraturas da poesia fecunda que se possa imaginar. Atingir a semiótica dor do desespero apegado ao primeiro obstáculo que me fascine as tentativas perdidas de um criar que se quer preciso, confiável, oráculo da minha revolução em flor, estratégia do verdadeiro amor.





Por: Cláudio Bettega - 5:02 PM :: | Toque o seu acorde
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mesa do café do teatro


na obra
perfeita
tenho uma
filosofia
refeita
penso aqui
ali
e tudo é
tudo
contudo
minha obra
se escapa
e vai para o
esgoto
pobre de mim
um poeta
roto
Um pensador escroto
Tanto soube
Que descobriu ser nada
Nem ninguém
Quem?
Não
Nunca ouvi falar
Quer um conselho?
Leia mais e fale menos


cláudio bettega
diogo zavadzki




Por: Cláudio Bettega - 4:33 PM :: | Toque o seu acorde
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quero a lembrança do sentimento puro
quero lembrar como é
amar
me perco em qualquer poema
qualquer bar
minha vida se perde em dilemas
minhas veias se encharcam de porres
de sofrimento
mililítros vários que circulam
por entre glóbulos
de dúvidas
teias úmidas
de esgarçadas proezas
recônditas em algum passado
de rezas e pedidos e choramingos
vozes do inconsciente
do oriente
do cérebro
do ocidente
do mundo
cultura incutida
opção furtiva?
meu peito se desdobra
me impele à uma
manobra definitiva
para sentir o que vem
das vísceras do corpo,
da alma
e do mapa
da minha palma


10.09.2005





Por: Cláudio Bettega - 3:37 PM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Setembro 08, 2005





Curitiba, vem cá pra uma conversa:
hoje é dia da tua padroeira,
por isso tenho que encontrar a melhor
maneira
de te dizer umas verdades:
bem...
Te amo, sua filha da puta!
Tu és a sereia do meu
sangue...
Não é porque vegetas anêmica sem um mar
ou sem um mangue
que vou deixar
de te achar
toda beat!!!
Em ti é que jorra minha
egotrip, em ti
é que, lúcido ou
alienado,
desfilo meus passos
cheios de estilo.
São teus os
mamilos do meu
desvirginamento
a cada idéia ou cada
tormento.
Impávida colossa
ou perdidinha provinciana, me
ensinas que um ser é
ser e nada em
qualquer parada,
mesmo que essa parada seja
tu, sua puta
degenerada.
Sim, és uma puta, uma vadia,
que se dá toda aos endinheirados e deixas
os pobres na mão.
Puta desgraçada... eu te quero e te tenho
porque tenho algum tostão! Assim,
posso te frequentar
escolas e bares ou
museus e solares, e tu
se abre toda,
regozija-se e diz
"me foda".
Sou um ser e sou um
nada,
mas em ti
minha parada
tem sido bem digesta,
imagine, posso até
fazer festa...
Curitiba, Curitiba...
o que queres hoje
do teu poeta?
Queres um agrado, queres
meu falo que sempre
te penetra?
Ahhh... Sua puta...
Me deixas louco com tua beleza,
fico-me sentindo uma
realeza
a cada passo que dou no
teu solo-Império...
Ah, louca,
ainda hei de te descortinar teu
maior mistério...
não me contas qual é,
guarda-o em segredo...
Guria pedante, metida a
moderna...
Cidade modelo e manequim,
cheia de lambrequim...
Mas em alguns momentos,
acho-te uma baderna...
Querida, chega de papo que
hoje é dia de festejo.
Tem gente na catedral,
tem quem faça arraial...
E olha, não vou falar de pinhão,
por favor não peças isso...
Sou poeta maldito,
o que vou dizer na minha tribo
se algum acadêmico decrépito
vier me comparar ao tal Emiliano?
Não, por favor...
Desses que hoje
moram em
outro plano, fico com o
Paulo:
"Conheço esta cidade
como a palma da minha pica.
Sei onde o palácio,
sei onde a fonte fica..."
Vai, sua puta,
vai me achar na esquina
pra entender
o quê te/me significa!





Por: Cláudio Bettega - 5:51 PM :: | Toque o seu acorde
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Hoje é dia da padroeira de Curitiba. Ai, como dói...




IMPRECISA PREMISSA
(quantas curitibas cabem numa só Curitiba?)
Paulo Leminski

Cidades pequenas,
como dói esse silêncio,
cantilenas, ladaínhas,
tudo aquilo que nem penso,
esse excesso
que me faz ver todo o senso,
imprecisa premissa,
definitiva preguiça
com que sobe, indeciso,
o mais ou menos do incenso.
Vila de Nossa Senhora
da Luz dos Pinhais,
tende piedade de nós.




Por: Cláudio Bettega - 9:46 AM :: | Toque o seu acorde
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Segunda-feira, Setembro 05, 2005






vou derramar
a substância
da inconstância
que me rasga
fere
grita
vou mostrar ao mundo
meu conteúdo imundo
vou catarsear
desaguar
desanuviar
o intestino mental
o detrito pós-industrial
o desvio emocional
mas também posso
tecer um texto belo
com belas palavras
com idéias nobres
qual um poeta parnasiano
e, enfim, nem
sei por quê
disse tudo isso aí
talvez para fazer
poesia
agora
aqui

02.02.2001





Por: Cláudio Bettega - 2:30 PM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Setembro 01, 2005




Sinto o sentimento mal sentido dos sensores mal sintonizados dos amores mal resolvidos dos humores mal vertidos incontidos gritos de penitência sua voz na lembrança um pouco de esperança uma alma que me dança na profunda ausência do afetivo.





Por: Cláudio Bettega - 1:56 PM :: | Toque o seu acorde
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Cláudio Bettega (chfb)

 Nascido em Curitiba - PR (onde resido), em 12.junho.1971  

Formado em Publicidade e Propaganda.
Estudante de Teatro.
Poeta.

"O importante não é o que fazem com você, mas sim o que você faz com o que fazem com você."
Jean Paul Sartre

"A arte nasce a partir do momento em que viver não é mais suficiente para exprimir a vida."

"Só há duas coisas realmente importantes no mundo: o amor e a arte."
Oscar Wilde


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