Quinta-feira, Setembro 30, 2004



CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO
Carlos Drummond de Andrade


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
Não cantaremos ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.




Por: Cláudio Bettega - 12:51 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quarta-feira, Setembro 29, 2004




Acabo de vir, triste, do ACT, onde encerrei minha matrícula no módulo, por conta de dores na coluna, seria difícil conciliar pé no palco com mais curso. Ganhei no Perhappiness, por ter declamado um poema (meu) um vale de trinta real na fnac. Fui lá hoje, peguei uma dissertação de mestrado sobre blogs de Denise Schittine. Agora vou pra casa descansar, e sofrer por ter deixado meus sonhos. Mas o Pé no Palco ainda me alimenta, e no começo de dezembro teremos seis dias de peça!!!!!







Por: Cláudio Bettega - 3:04 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Terça-feira, Setembro 28, 2004





Escravo do
pensar
desordenado
perecer
enjaulado na
dor que
desanima e
tortura
esperar
alucinado por
um pouco de
carinho
vida tão
injusta
dor na
alma tão
perdida
coração
descompassado
resta só a
poesia de um
criar
acelerado

17.07.2000





Por: Cláudio Bettega - 10:48 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Segunda-feira, Setembro 27, 2004





não lembro se já publiquei esse, se já, vai de novo, gosto dele.


chega a brisa
me banha
o rosto
suavemente
alisa
os cabelos
enxuga
meus pêlos
remove as
poeiras
da mente
e vai

23.08.2001






Por: Cláudio Bettega - 11:18 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Sexta-feira, Setembro 24, 2004




Em estado de graça, ouço Clarah Averbuck cantando, depois de ouvir sua inteligência no debate, ter meus livros assinados e ter tomado umas com ela...




Por: Cláudio Bettega - 10:40 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:











Ahhhhh, cumpanhêrada, pára com isso, já expriquei, precisamo do superávit pra acarmarr os merrrrcado, os banquêro, nóis temo que darrr mostras de burguêisice, uai. Quê? Trotkista? Eu? Fui, é?? Num me alembro...


Por: Cláudio Bettega - 8:15 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quinta-feira, Setembro 23, 2004



Tinha aula de preparação vocal no Act hoje, gripado e sem voz, não fui. Estou no Perhappiness 2004. Tema é trangressão. Debate hoje com os londrinenses Bortolotto e Rodrigo Garcia e os curitibanos Luci e Jaques. Não houve debate transgressivo, o tema se prendeu ao eterno problema brasileiro de falta de leitores, como educar, como é a universidade etc. Num público de leitores, creio que isso pode ser abordado em dez minutos, porque é problema recorrente, depois, despirocar sobre transgressões de linguagem. Fazer o quê... Amanhã estarei pra ver Clarah Averbuck, cujos livros adoro, precursora em blogs literários com o Brasileira Preta, hoje extinto.




Por: Cláudio Bettega - 10:13 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quarta-feira, Setembro 22, 2004



"...já não tenho a mesma idade
não pertenço a ninguém..."




Por: Cláudio Bettega - 11:22 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:








"...mais um ano que se passa
e eu não sei o que fazer..."




Por: Cláudio Bettega - 11:21 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:









"mais um ano que se passa
mais um ano sem você
já não tenho a mesma idade envelheço na cidade..."


Por: Cláudio Bettega - 11:20 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Terça-feira, Setembro 21, 2004






INDEFINIÇÕES

Eu, a bem da verdade, não tinha mais muitas esperanças de poder, abertamente, confessar, confidenciar a Maria Alice todos os meus pecados mundanos acumulados em mais de trinta anos de existência urbana. Aliás, não sei se podemos chamar a vida de um sujeito metido a escritor que vive em uma esfera introspectiva e cheia de neuroses, propriamente de existência urbana. Mas foi uma existência, se não solta pelos bares e festas de Curitiba (apenas solta pelos seus calçadões, que meus passos, embora raros e distraídos, conhecem como ninguém), suficiente para produzir todos esses pecados que me inibem diante de Maria Alice.
Pecaminosa mesmo a minha existência; caseira, mas cheia de crueldades. Todas as palavras que eu dizia - berrava - tentando convencer as paredes de que eu era o máximo em matéria de entendimento da alma humana (que parecem ter sido absorvidas por essas mesmas paredes e, hoje em dia, são refletidas, já que tanto me golpeiam quando da minha solidão domiciliar) são de uma crueldade e empáfia absurdas.
Maria Alice merece alguém menos pedante, mais autêntico, mais experiente. Sinto que meu universo descompassado não se coaduna com seu dinamismo. De que adiantam poemas e contos jogados em uma gaveta que impressionam sua sensível natureza, se a crueza das existências humana e urbana me são tão distante a primeira, tão imprecisa a segunda, e me é tão torturante a somatória inevitável das duas.
O problema, também, é que ela se deixou muito envolver por esse meu ser meio alienado, embriagado por fantasias literárias, e pouco enxergou a sua própria necessidade de um relacionamento real, maduro, com alguém que possa lhe oferecer aquilo que todas as mulheres, ou pelo menos a imensa maioria delas, deseja: segurança.
E, agora, tenho vergonha de confidenciar a ela toda a minha loucura, meus pecados mundanos que ultrapassam o mero criar artístico, derramando-se em minha mente de forma a produzir pensamentos por vezes escatológicos, por vezes, diria eu, muito incomuns, meio que beirando a total falta de lucidez, daí advinda minha estranha compulsão por conversar com as paredes, ao invés de telefonar para alguém conhecido e soltar as insanidades em um bar, com um copo de chopp temperando a noite.
Conversar com Maria Alice, hoje, é de uma dificuldade tremenda. Ela sempre me olha esperando comentários inteligentes (para ela) a respeito de algum livro ou algum filme, e eu não tenho como lhe dizer que não entendo nem de livros e nem de filmes, e que o que eu escrevo só tem valor estético para as traças do meu armário ou para aquele editor caquético que eu procurei e que gostou do meu "trabalho". Já esgotei todo o meu arquivo mental de matérias jornalísticas que consumi das revistas especializadas, com as quais elaborava minhas impressões a respeito de certos assuntos que eu abordava nas nossas noites insones, deleitados pela única coisa na qual realmente combinamos, a capacidade de um dar prazer sexual ao outro.
Ah, se ela soubesse das minhas crueldades... Embora tenha eu toda essa auto-crítica em relação às peças literárias que minha mente produz, meus berros às paredes representam muito do que eu realmente sou. Grande parte dos fragmentos da minha vida são dominados por crises alucinadas de alguém que se acha "o incomparável". E embora Maria Alice use sua sensibilidade para pensar também dessa forma, sempre tentando me agradar, não consigo enxergá-la como uma pessoa ilustrada, culta. Mesmo porque sei que estou distante das grandes inteligências.
Realmente muito estranha essa dicotomia em que vivo. Se lúcido, acho-me uma porcaria. Se tomado pelas alegorias inconscientes que se espraiam pela minha desprotegida mente, acho-me um grande homem, só comparável aos grandes mitos da história terrestre. São poucos os momentos como o presente, em que posso analisar friamente minhas idiossincrasias; em que posso concluir que, não obstante possuidor de uma certa tendência às artes literárias, não sou nenhum Joyce, nenhum Machado, nem um Pessoa.
Pois é. Não só não tenho coragem de revelar que passo muitos momentos fora de sintonia (já que os que ela presenciou não continham seu teor costumeiro), como também não quero magoá-la dizendo que tudo o que me liga a ela não passa de desejo sexual.
Às vezes penso que deveria haver alguma coisa nos seres humanos que revelasse aos outros, só pela aparência, o que se está pensando. Sei lá, se houvesse expressões faciais comuns a todos com diversos significados: "Te detesto"; "Porra, como você é chata e burra"; "Não gosto de você de verdade"; "Dá pra parar de me encher o saco?"; "Pombas, cala a boca e me deixa ver televisão"... Maria Alice seria informada dos meus pensamentos a respeito de sua burrice com um mero esticar de músculos faciais.
Mas é muito doloroso pensar em magoá-la, quanto mais exprimir de vez minha repulsa. E, se eu analisar bem, Maria Alice preenche meu tempo agradavelmente, mesmo que tenha lá sua insuficiência intelectual. Seria difícil encontrar uma mulher com todos os requisitos impostos pela minha forte e perfeccionista exigência, ou seja, alguém bela e sensível como Maria Alice, mas com uma inteligência que me faça navegar em mar brando, apaixonando-me. Uma mulher que não fique apenas embasbacada com o meu discorrer de idéias, que Maria Alice julga altamente erudito, mas que discuta e acrescente alguma coisa ao meu parco cabedal. (Essa modéstia toda e também a frequente mania de achar Maria Alice burra fazem parte da já citada dicotomia crônica que me persegue, julgando-me ora um bostinha, ora o máximo).
Difícil. Difícil chegar a um termo exato de atitude que simplesmente resgate do meu íntimo algo verdadeiro, equilibrado, definitivo. Difícil continuar percorrendo esta busca e julgando inferior alguém que me ama, tendo eu mesmo a dúvida sobre minha própria condição. E é desagradável também persistir com a mania de achar que tudo o que nos rege é a quantidade de inteligência ou, ao menos, conteúdo poético.
Ora, se Maria Alice parece-me burra, parece-me também muito sensível e dinâmica. Por que não tentar aprender com ela a ter essas qualidades (principalmente dinamismo, já que estou contente, pelo menos neste exato momento, com minha sensibilidade de estilista), e, de uma vez por todas, colocar-me aos outros e, principalmente, a mim mesmo como um profissional das letras? Por que não dar vazão a apenas um lado da minha dubiedade corrosiva e emergir definitivamente como um grande escritor-contemporâneo-pós-qualquer-merda que arrebata a crítica e a massa e que é o que há - assim como às vezes se acha - de melhor?
Aprender. Humildemente aprender com ela. Enxergar em Maria Alice alguém que me passe uma postura de auto-conhecimento. E tentar mostrar a ela, da melhor maneira que ela possa entender, alguém que sofre diante do desmazelo da própria consciência, que busca enfurecidamente por uma solução para incongruências causadas pelas suas deficiências. Enfim, mostrar-me de forma aberta e total.
Maria Alice, não é só sexo. Eu a amo.






Por: Cláudio Bettega - 11:42 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Segunda-feira, Setembro 20, 2004


Aos domingos e feriados, todos sabem, ônibus demoram horrores. Tenho pego Ligeirinhos (lerdinhos) pra ir às aulas de teatro aos domingos, e espero eternidades. Estou pensando em catar os candidatos a prefeito por aí, e perguntar quem pode instalar bares nos tubinhos. Água, refri, cervejinha, um jornal, no inverno café...






Por: Cláudio Bettega - 10:01 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quinta-feira, Setembro 16, 2004





dedilho no teclado
o meu recado
formo um poema
estratagema
de vida e esperança
a palavra dança
fácil pra mim é
ô, seu mané
brincar de poetar
coisa legal
parece navegar
et cetera e tal
mando a frase certa
descoberta
haja poesia
no dia a dia
desdobrar-se em sentimento
alegoria
de encantamento
que principia
na marcha de protesto
contra a letargia
pra você este poema
de alegria

18.08.2000





Por: Cláudio Bettega - 10:14 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quarta-feira, Setembro 15, 2004


Com licença, Srs. leitores do chfb in concert... Tenho tido problemas com meu Blog (Café do Blog) e por este motivo, o grande comparsa Cláudio cedeu-me este momento para expor algo...
Tenho, por assim dizer, a indicação de um livro de Millôr!!!
Abraços à todos!!!
Fernando



Homem do príncipio ao fim
Millôr Fernandes

O Homem do Princípio ao Fim é mais uma vez o exercício da inteligência, do humor e do profundo interesse de Millôr Fernandes pelo ser humano. Ao fazer esta peça, Millôr traça um grande painel da trajetória humana de Adão até a Bomba H, esmiuçando os seus sentimentos, medos, mesquinharias, lutas e sua capacidade de criar e... destruir. Como "colagem", modalidade de espetáculo em que Millôr é pioneiro, a peça se desenvolve com a inserção freqüente de citações de autores consagrados como Shakespeare, Gonçalves Dias, Rubem Braga, Joyce etc... É o homem fazendo e contando a história. O jornalista e humorista consagrado junta-se ao crítico da condição humana. E utilizando justamente a inteligência, o maior dos atributos humanos, Millôr leva-nos da perplexidade à mais gostosa gargalhada. É a história do Homem, desde o princípio até, quem sabe, seu fim. Escrita e encenada no final da década de 60, este texto (como Liberdade, Liberdade) mantém-se incrivelmente belo e atual. Sua reedição no início do novo milênio é uma homenagem à sua generosa mensagem e ao humanismo de que está impregnada toda a obra de Millôr Fernandes.


Por: Cláudio Bettega - 4:43 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:








"O artista é a criança da sociedade."
Tom Zé




Por: Cláudio Bettega - 12:19 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Terça-feira, Setembro 14, 2004


Ontem iniciei minhas aulas no módulo de três meses que farei no ACT - Ateliê de Criação Teatral. A aula inicial foi prática, mas senti diferenças em relação ao Pé no Palco, onde tudo é muito prático mesmo. A professora, Ana Rosa, dava pausas nos exercícios e conversava sobre as cenas, sobre o teatro como um todo. No Pé no Palco, essas conversas limitam-se a respostas ao exercícios, em forma de avaliação. Achei interessante os exercícios de respiração, retirados do Kung Fu. Hoje terei aulas teóricas, e amanhã, novamente, práticas. Semana que vem, teremos aula de preparação corporal com Mônica Infante, e oficina de preparação vocal com Babaia, preparadora, entre outros, de Mílton Nascimento. Será ótimo manter as aulas de Domingo no Pé no Palco, onde já trabalhamos na peça de fim de ano, e adicionar esse módulo no ACT, onde provavelmente, ano que vem, farei outros.


Por: Cláudio Bettega - 11:05 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Segunda-feira, Setembro 13, 2004



"Não se deve adiar uma palavra, um sorriso, um olhar, uma carícia. Olhamos tão pouco as pessoas amadas. Quantas palavras calei com pudor de ser meigo, vergonha de parecer piegas?"
Nélson Rodrigues



Por: Cláudio Bettega - 12:16 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Sexta-feira, Setembro 10, 2004



"Só há duas coisas realmente importantes no mundo: o amor e a arte."
Oscar Wilde




Por: Cláudio Bettega - 8:14 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quarta-feira, Setembro 08, 2004


Hoje é dia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba.



COMO TORNAR-SE INVISÍVEL EM CURITIBA
Jamil Snege

Você pode começar treinando numa dessas manhãs de muita neblina, às margem de um lago ou num bairro bem afastado do centro da cidade. Pode optar por uma rua deserta, no começo da noite ou numa véspera de feriado. Pode vestir um uniforme camuflado ou levar o seu " personal treiner" a tiracolo, pouco importa. Esteja você com a síndrome do pânico ou com o coração amargurado, existe um método muito mais eficiente para tornar-se invisível em Curitiba do que essas deambulações pelos ermos da cidade. Embora não esteja ao alcance de todos, convém conhecê-lo, já que é absolutamente infalível e seus resultados surpreendentes. Primeira condição: você precisa ter talento genuíno. Estudar bastante também ajuda, mas não substitui aquele toque de gênio inconfundível que marca e distingue certas pessoas desde o berço. Pois bem. De posse desse talento que Deus lhe deu - e contra a falta de estímulo da família, do meio e particularmente da própria cidade -, você deve se atirar de corpo e alma na consecução do seu destino. Guiado unicamente pelo seu daimon, pelo seu anjo tutelar, você dará início à construção de sua lenda pessoal e dos projetos que dela advirão.
Você estará, finalmente, a caminho de tornar-se invisível. Cada conquista, cada livro publicado, cada poema, escultura ou canção, cada tela, espetáculo, disco, filme ou fotografia, cada intervenção bem sucedida no esporte, no direito ou na medicina, cada vez que alguém, lá fora, reconhecer com isenção de ânimo que você está produzindo obra de feito significativo - o seu grau de invisibilidade aumenta em Curitiba. E é muito fácil perceber isso. Primeiro, não faltarão pessoas tentando dissuadi-lo de seu próprio talento. Tudo farão para reconduzi-lo de volta à mediania, ou melhor, à mediocracia, que é o sistema vigente nesse vago estrato a que denominamos cultura. Se você resistir, tentarão cooptá-lo com promessas de nomeações ou ofertas de emprego em atividades sucedâneas. Se você é um belo projeto de escritor, alguém tentará convencê-lo que é melhor, mais lucrativo, ser um redator de propaganda. Se você é um jovem e promissor cirurgião plástico, com projetos de especialização no exterior, não faltará quem o convide para sócio de uma dessas empresinhas de medicina privada lá onde o diabo perdeu as botas.
Se mesmo assim você se mantiver fiel ao seu daimon, à sua lenda pessoal e não arredar pé de seu destino, a invisibilidade torna-se então um processo irreversível. Os amigos mais chegados são os primeiros a acusar falhas em seus sistemas e radar quando o objeto a ser captado é você ou algo que lhe diz respeito. Os convites tornam-se mais escassos, o telefone já não toca como antigamente; e mencionar seu nome ou seus feitos, nas reuniões para as quais você não foi convidado, passa a ser tomado como um gesto de imperdoável traição ao grupo. Desse momento em diante, só os inimigos falarão de você. Falarão mal, obviamente. E o mais curioso: à maioria desses " inimigos" , a noventa por cento deles, você jamais falou, sequer foi apresentado. Os amigos a gente escolhe; os inimigos escolhem-se a si próprios.
Esta talvez seja a parte mais cruel (ou mais irônica) da história. A sua visibilidade, enquanto pessoa, transfere-se para a sua imagem, que circula e passa a frequentar os lugares para os quais você não é solicitado. Não é mais você em pessoa - carne, sistema nervoso, personalidade, alma -, que se oferece `a percepção do outro, mas uma espécie de correlato simbólico impregnado de tudo o que os outros lhe atribuem.
Para encurtar: vale a pena manter-se fiel ao seu daimon e cumprir com resignação cada etapa de sua lenda pessoal? Acho que sim. Curitiba está cheia de pessoas invisíveis.





Por: Cláudio Bettega - 1:39 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:















Por: Cláudio Bettega - 10:49 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Terça-feira, Setembro 07, 2004





Colírio:
meus olhos
te acham
lacrimejam
se lavam
lançam o sonho
que forjei
no coração
pra te encantar
e te envolver
e te prender
absorver;
pra te levar
ao horizonte
fina linha
sozinha
no céu e mar.




Por: Cláudio Bettega - 9:21 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:









Independência? Aonde, cara pálida?



Por: Cláudio Bettega - 9:20 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Segunda-feira, Setembro 06, 2004



visitem o blog de meu amigo livreiro e videomaker Elisandro:


www.zaimbo.blogspot.com





Por: Cláudio Bettega - 4:11 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Sexta-feira, Setembro 03, 2004



Meu cartão da realidade está repleto de unidades. Mesmo assim, não consigo completar a ligação!!





Por: Cláudio Bettega - 11:26 AM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quinta-feira, Setembro 02, 2004




incerto
o meu canto
cantado intensamente
como pranto
a embalar a nossa
noite
nossa vida
nossa ferida
a unir os nossos
corpos
nossos nomes
nossas fomes
canto incerto
intenso
prematuro hino
de felicidade
expressa a vontade
de amar sem saudade




Por: Cláudio Bettega - 1:03 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:





Quarta-feira, Setembro 01, 2004


Este meu conto foi publicado na extinta revista de Literatura Pop da net TXTMAGAZINE


BODY PIERCINGS

Estava ouvindo "The Dark side of the Moon", do Pink Floyd, para relembrar a madrugada em que te conheci, naquele bar de beco, onde a banda que mais mal tocava no mundo tentava exatamente apresentar músicas desse disco. Você, com aquele piercing no umbigo, cabelos alaranjados e botas pretas, fumando um cigarro de cravo, cravou os olhos em mim, e eu correspondi. Daí para ficarmos e depois, por longos dois anos, namorarmos, foi um pulo.
Na verdade, mesmo se a "banda" estivesse tocando músicas do disco "The Wall", nada teria sido diferente. Nos conheceríamos, ficaríamos, namoraríamos e nos encheríamos um do outro do mesmo jeito. Até mesmo se os "músicos" resolvessem soltar um The Smiths, tudo seria igual, a não ser a minha noite de hoje, que estaria sendo regada a "The Queen is Dead".
Mas tudo bem. Pelo menos você fumava cigarros de cravo, e tinha o hábito de mudar o visual a cada dois, três meses, o que tornava tudo muito mais divertido.
Primeiro, os já citados cabelos alaranjados, bota e piercing no umbigo. Dalí há três meses e meio, aquele cabelo vermelhão, tipo Franka Potente em "Corra Lola, Corra", piercing no nariz e tatuagem tribal por sobre a bunda (aliás, que bunda!). Realmente, muito divertido.
Não sei, nessa história toda, por quê você não se borrava de baton, faria muito o seu estilo. Mas não foi por isso que me cansei. É que "The Cure" é dose... e eu tinha que ouvir essa bandinha toda vez que ia à sua casa, parecia sadismo seu colocar "Boys Don't Cry" em alto volume. Acho que dois anos ainda foram muito, mesmo que você, no sexto mês de namoro, tenha posto aquele piercing na língua, dizendo que viu em "Pulp Fiction" uma personagem feminina fazendo o mesmo porque, segundo ela, ajudava no Felattio. É, de fato...
O que eu gostava mesmo era dos lugares para os quais você me arrastava nas noites de frio - bares escuros em ruelas escuras, cheios de punks, góticos e quetais, onde se ouvia "Sex Pistols" e "The Clash" (tem certeza que você gostava, já que tinha ouvidos acostumados a "The Cure" ?)
Pois é, tudo que é bom tende às vezes a piorar, se não nos esforçamos para manter o barato. Claro, não foi só o "The Cure". Acho que foi falta de simbiose geral mesmo. Ou melhor, quase geral, já que, depois de terminarmos, guardei em mim algumas influências suas e acabei furando a glande com um piercingzinho.



Por: Cláudio Bettega - 2:12 PM :: | Toque o seu acorde
ou comente aqui:







Cláudio Bettega (chfb)

 Nascido em Curitiba - PR (onde resido), em 12.junho.1971  

Formado em Publicidade e Propaganda.
Estudante de Teatro.
Poeta.

"O importante não é o que fazem com você, mas o que você faz com o que fazem com você."
Jean Paul Sartre

"A arte nasce a partir do momento em que viver não é mais suficiente para exprimir a vida."

"Só há duas coisas realmente importantes no mundo: o amor e a arte."
Oscar Wilde


Meu email

 

on-line

visitantes


Blog de Amigos

Ação e Divagação
Acervo Pessoal
Ah, o amor...
As Kutícula
Assim Estou
Batom na Cueca
Bláblas
Blues Curitibano by Alexandre França
Café do Blog
Caminhando e Pensando
Caminho de Brunas by Polonaise
Cantinho da Lalai
Conto de Réis
Corpo Em Cena
Decadência Urbana
Eu Sozinha F.C.
Febre Alta
Fernanda
Fratura Exposta
Gaby
Giovanna Chinen
Guta
Hopinião
Koisas Do Piru
Larica Existencial
Lilith Grrl
Marcelo Tas
Maryllene
Meditabundas
MegaZona
Meu Mosaico
Minha Cor - Flicts
Nosso Palco
Os Insones
Pau da Barraca
Pensamentos Imperfeitos
Polzonoff
Professora 24 horas
Psycodelico
Rock Way Of Life
Salón Comedor
Sanatório Geral
Seu Tião
Spectorama
Trash by Dra. Phibes
Uma Por Dia
Umbigo
Zaimbo


Links

A Barata
A Casa do Bruxo
ACT - Ateliê de Criação Teatral
A Garganta da Serpente
Argumento
Arnaldo Jabor
Barulho Records
B*Scene
Carlos Drummond de Andrade
Cristovão Tezza
Denise Stoklos
Etel Frota
Fabrício Carpinejar
Greta Benitez
London Burning
Mar de Poesias
O Bule
Onanistas
Patrícia Camera
Pé no Palco
Pontual
Revista Zero
Scream & Yell
Supers
Usina de Letras


Arquivos

Meu Passado

This page is powered by Blogger. Isn't yours?