Terça-feira, Abril 29, 2003

COMUNICAR, VIVER, SENTIR...

Embora ainda não esteja trabalhando, tenho o título de Publicitário. O título burocrático - o diploma acadêmico e o nome da profissão que coloco em fichas, pesquisas, etc. Mas o que eu venho fazendo por essa vida, então? Poesia, oras! Além de sofrer um tanto por aí, mas, graças a Deus, um pouco menos a cada dia. Tenho também encontrado pessoas lindas através da blogagem, revisto e convivido com velhos camaradas, me encantado por mulheres, em especial por uma. Por essa, o encantamento é pela cabeça, pelo espírito, jeito do blog, poemas, pelos mistérios, doces mistérios... Outro dia me disseram que acham esse negócio de conhecer pessoas pela internet uma babaquice, de que seria impossível se apaixonar virtualmente. Pois eu acho que babaquice é você virar a cara pra uma pessoa em um ambiente só porque ela está fora dos seus padrões estéticos. Primeiro que ninguém disse que se é obrigado a conversar com alguém só com o objetivo de ficar, namorar, trepar. Quantas amizades que deixam de se formar na noite só porque alguns estão apenas caçando. E acho também que um encantamento virtual é muito mais autêntico que muitos tesões visuais e genitais, quando você acha linda(o), trepa, mas aí conversa, e vai vendo que não é nada daquilo...
Bem, eu falei na minha condição de publicitário e metido a poeta porque hoje cometi um erro de comunicação. Talvez não tenha errado, o problema poderia ser a forma como o receptor interpretou a mensagem, a partir de sua condição emocional no momento...
Reparem no quão interessante é a comunicação. Quantas e infindáveis são as possibilidades de se emitir, de se transmitir, de se codificar, de se direcionar, de se sentir a mensagem. Às vezes uma palavra cai de um jeito pra uma pessoa, de outro jeito pra outra; ou uma imagem, uma pintura, um poema...
Terei medo quando começar a trabalhar. A publicidade precisa ser exata, direta, concisa, dizer pra todos, ou pelo menos maioria, exatamente aquilo que tem que ser, persuadindo e informando sem ruídos durante o processo.
Hoje falhei como comunicador e como admirador de alguém. Me desculpe, doce mistério...


Por: Cláudio Bettega - 12:59 PM :: | Toque o seu acorde
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Segunda-feira, Abril 28, 2003




escrevi
num muro
meu amor
mais puro
que me acalenta
me tira do escuro
aos olhos
de todos
apenas graffiti
pra mim um poema
num papel
sulfite


em 07.04.2001, by chfb.



Por: Cláudio Bettega - 2:45 PM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Abril 25, 2003

EU E O NONO



Gente, não sou filho de Japonês, não.
Nem de Chinês. Esses olhinhos estão apertadinhos
por causa das fartas bochechas. Sou mesmo é neto
deste maravilhoso filho de italianos,
meu querido Nono Buona Gente.
Vocês notaram, venho crescendo, crescendo...
Um dia chega a foto atual, eh eh...



Por: Cláudio Bettega - 12:30 PM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Abril 24, 2003


PRIMEIROS ERROS (CHOVE)
Kiko Zambianchi

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde
estou
Meu destino não é de
ninguém
E eu não deixo meu passos
no chão

Se você não entende,
não vê
Se não me vê,
não entende
não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende

Se o meu corpo virasse
sol
Minha mente virasse
sol
Mas só chove e chove
Chove e chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove
Chove e chove



Por: Cláudio Bettega - 4:12 PM :: | Toque o seu acorde
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Terça-feira, Abril 22, 2003


A vida te chama.
Te quer ver feliz.
Quer ser feliz.


VARAL DAS CALCINHAS

CONTO DE RÉIS

MAGNÓLIA



Nestes blogs, você encontra o caminho
de como ajudar o mundo a continuar sendo colorido.





Por: Cláudio Bettega - 1:18 PM :: | Toque o seu acorde
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EI DESDICHADO II



Eu sou o Tenebroso o Irmão sem irmão, o Abandono
o Inconsolado, o Sol Negro da Melancolia
eu sou Ninguém, a Calma sem Alma, que assola
atordoa e vem, no desmaio do final de cada dia
eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
o Samba-sem-canção, o Soberano de toda a alegria que exististia
eu sou a Contramão da Contradição que se entrega
a qualquer deus-Novo-embrião pra traficar
o meu futuro por um inferno mais tranquilo

eu sou Nada, e é isso que me convém
eu sou o Sub do mundo e o que será o que será que me detém

eu sou o Poderoso, o Bã-Bã-Bã, o Bão! eu sou o sangue!
Não, eu sou a fome do Homem que come na brecha da mão de quem vacila
eu sou a camuflagem que engana o chão
a Malangragem que resvala de mão em mão
eu sou a Bala que voa sem rumo, perdida
eu sou a Explosão, o Exu, o Anjo, o Rei
eu sou o Morro, o Soberano d'Alegoria que foi a minha vida

eu sou a Execução, a Perfuração
o Terror da próxima edição
dos jornais que me gritam, me devassam e me silenciam




Por: Cláudio Bettega - 12:28 PM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Abril 18, 2003

PUBLICITÁRIO CURITIBANO É DESAFIO PARA A CIÊNCIA



O famoso publicitário e blogger curitibano Nego Leão de Cara Doirada Lee, originário da nobre espécie dos Leões de Bronze de Cannes, tornou-se, na semana passada, uma incógnita para os biólogos das universidades curitibanas. Nego, como é carinhosamente chamado o blogueiro por sua plêiade de amigos boêmios, era até então considerado macho. Mas, ao dar à luz dois Neguinhos doiradíííssimos, suscitou dúvidas quanto à sua real condição sexual.
Segundo os biólogos Diego Fettuccini e Uca Pierogui, Nego pode ser uma espécie rara de fêmea enrustida, ou, o que seria ainda mais inusitado, um tipo de hermafrodita auto-fecundante.
Por outro lado, Neryldo Wilsson, colega de Nego na lida publicitária, diz que, no meio em que vivem, é lícito se esperar de tais criaturas surpresas e transformações, seja de temperamento ou, até mesmo, de sexo. Segundo o também famoso publicitário, a pressão e o stress diários vividos nas agências causam indefinições nas escolhas emocionais dos artífices, fazendo com que certos movimentos pareçam aos mortais comuns idiossincrasias insólitas.
À despeito da polêmica, Nego Doirado Lee e seus novos descendentezinhos podem ser vistos diariamente em importante agência do mercado curitibano, criando pérolas de comunicação e granjeando cobiçados prêmios em festivais importantes. A não ser na hora da amamentação, claro.




Por: Cláudio Bettega - 12:28 PM :: | Toque o seu acorde
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procuro as portas
por vias tortas
e pelos trajetos feitos
pelos eleitos
não encontro
então me escondo
no meu caminho
sigo por ele
sozinho
torto ou direito
sei lá
é só meu
tem meu jeito
nele
me sinto perfeito
e sei que por ele
a estrada é dura
mas também é doce,
colorida e pura



em 17.04.2003, by chfb.




Por: Cláudio Bettega - 7:48 AM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Abril 17, 2003


MINHAS MÚSICAS (ESTRANGEIRAS) FAVORITAS:
Cês sabem, banco de reservas entra no jogo o tempo todo.

*Since I've Been Loving You - Led Zeppelin
*Kashimir - Led Zeppelin
* The Jack - AC/DC
*Time - Pink Floyd
*Simpathy for the Devil - Rolling Stones

Banco de reservas

*Hells Bells - AC/DC
*Smells Like a Teen Spirit - Nirvana
*Satisfaction - Rolling Stones
*Miss You - Rolling Stones
*London Calling - The Clash



Por: Cláudio Bettega - 11:51 AM :: | Toque o seu acorde
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Quarta-feira, Abril 16, 2003

QUERIDAS AMIGAS MINEIRAS
JUJU, JUZINHA E CAROL:




Este é o estádio no qual, agora à noite,
a Raposa da toca meteu quatro cocos no Coxa.
Como o Coxa só fez três, concluímos, em óbvia obviedade,
que meu time perdeu para o de vocês.
Parabéns...

(SNIF, SNIF...MELECA!!)



Por: Cláudio Bettega - 10:49 PM :: | Toque o seu acorde
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"...Flores são flores
Vivas num jardim
Pessoas são boas
Já nascem assim
Flores são flores
Colhidas sem dó
Por alguém que ama
E não quer ficar só..."




Por: Cláudio Bettega - 2:23 PM :: | Toque o seu acorde
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Terça-feira, Abril 15, 2003

DESCULPA AÍ, DRUMMOND...

Quando nasci, um anjo torto,
desses frustados, calhordas,
bem filhos da puta, disse:
Vai, Cláudio, ser gauche na vida.

Vai ser uma criança obesa,
complexada, maltratada;
vai ser um adolescente
metido a de esquerda em cidade
burguesa.

Vai, Cláudio, vai
te foder na vida,
vai beber o sangue
de qualquer ferida.

Vai ter cicatrizes no corpo
e na alma;
vai ser nervosinho,
cara sem nenhuma calma.

De tão idiota que esse anjo era,
pouco conseguia avaliar um artista,
não sabia, o pobre, que um dia
minha dor viraria arte
e eu iria emanar amor
por toda e qualquer parte.


em 15.04.2003, by chfb.




Por: Cláudio Bettega - 8:55 PM :: | Toque o seu acorde
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"As I look back
over my life
I am struck by post
cards
Ruined Snap shots

faded posters
Of a time, I can't recall"






"Olhando para trás
para a minha vida
assaltam-me a memória postais
ilustrados
Fotografias danificadas

cartazes desaparecidos
De um tempo que não posso fazer regressar"



Por: Cláudio Bettega - 1:23 PM :: | Toque o seu acorde
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Segunda-feira, Abril 14, 2003



ser ou não ser
este maldito poeta
perdido pelo mundo
metido a esteta
em busca de um sentido,
uma explicação concreta
para o absurdo inevitável
e delícia insuperável
de viver


by chfb, em 25.01.2002

Por: Cláudio Bettega - 10:07 PM :: | Toque o seu acorde
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Que bom ser para alguém um anjo.
Ainda mais para quem é meu doce mistério.
Obrigado, minha linda.


"Anjo
Toca-me a face em doce carícia,
Sinto o percorrer suave, sem fim
Do encanto angelical que deixaste em mim,
Queimando o coração em lírica ardência.

Anjo
Meu terno anjo
Envolve meu corpo no teu breve passar
Por momentos, tento te reter,
Guardar na mente teu murmurante dizer,
Tolhida na vontade insana de se fazer abraçar.

Anjo
Oculto Anjo,
Sopraste em mim teu recolhido perfume,
Levaste contigo minha direção do olhar,
Apontaste no ser uma luz de navegar,
Fizeste brilhar rubro, um novo lume.

Anjo
Distante anjo,
Anseio toda manhã, em cada aurora,
que a noite chegue e possa
te sentir novamente, palpitante,
Mesmo que por segundos; não obstante,
Guardarei teus sopros na memória.

Anjo
Inverteste o Outono no meu coração."





Por: Cláudio Bettega - 4:57 PM :: | Toque o seu acorde
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Na falta de uma atual...



Eu tinha 1 aninho.
O velhinho querido é meu avô materno, que morreu em 1979.
Ando com essa foto na carteira porque
comecei a sentir que minha mediunidade estava
se desenvolvendo quando ele falou comigo, há coisa de três anos atrás.
Ele não é lindo? (o velhinho, digo...)


Por: Cláudio Bettega - 12:17 PM :: | Toque o seu acorde
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Domingo, Abril 13, 2003

"The Endless quest a vigil
of watchtowers and fortresses
against the sea and time.
Have they won? Perhaps.
They still stand and in
their silent rooms still wander
the souls of the dead,
who keep their watch on the living.
Soon enough we shall join them.
Soon enough we shall walk
the walls of time. We shall
miss nothing
except each other."




"A busca Interminável uma vigília
de torres de vigia e fortalezas
contra o mar e o tempo.
Ganharam? Talvez.
Ainda lá estão e no
silêncio das salas ainda deambulam
as almas dos mortos,
que mantêm a sua vigilância sobre os vivos.
Cedo nos juntaremos a eles.
Cedo caminharemos
nas paredes do tempo. Nada
nos fará falta
exceto uns aos outros."



Por: Cláudio Bettega - 4:05 PM :: | Toque o seu acorde
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Sábado, Abril 12, 2003

SONETO DE FIDELIDADE
Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Que vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Alguma coisa acontece no meu coração.



Por: Cláudio Bettega - 2:12 PM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Abril 11, 2003

Oi gente. Hoje acordei com essa música na cabeça, pu-la (!!!) no Cd player e cantei junto. Vou dividir a letra com vocês.

QUANDO O SOL BATER NA JANELA DO TEU QUARTO
(Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá)


Quando o sol bater na janela do teu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só.
Por que esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos
Só não sabe quem não quer.
Quando o sol bater na janela do teu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só.
Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor
E toda dor vem do desejo
De não sentirmos dor.
Quando o sol bater na janela do teu quarto
Lembra e vê que o caminho é um só.



Por: Cláudio Bettega - 8:47 AM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Abril 10, 2003

O Amor e a Brisa

Se meu amor por ti não for suficiente
Para provar ao mundo que estamos vivos
Qual será então a força ardente
Que na nossa vida marcará seu crivo?

Flores, cheiros, galhos de ciprestes
Guloseimas, taças de Cristal
Jóias, beijos, vistosas vestes
Tudo dou-te com amor total

Mas se quiseres realmente
Provar que és minha como sou teu
Fica nua libertamente
E acompanha-me a um País plebeu

Vamos viver o amor e a brisa
Matar nossas fomes conjuntamente
Apenas com a carinhosa mão que alisa
Nossos corpos como ferro quente

A ti meu amor e minha poesia
Minha dedicação e meu respeito
Será completa minha alegria
Quando te recostares no meu peito


em 02/03.11.2002, by chfb.




Por: Cláudio Bettega - 9:55 AM :: | Toque o seu acorde
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Quarta-feira, Abril 09, 2003

RODRIGUEANAS

"A única coisa que me mantém de pé é a certeza da alma imortal. Eu me recuso a reduzir o ser humano à melancolia do cachorro atropelado. Que pulhas seríamos se morrêssemos com a morte".

Eu, chfb, faço minhas as palavras do Nélson. E digo mais: se o cachorro atropelado morrer, não perecerá na melancolia, pois sua alminha vingará, feliz.



Por: Cláudio Bettega - 8:41 PM :: | Toque o seu acorde
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JOÃO (FUTURO EX) GORDO



Eu sei, eu sei, deveria colocar aqui fotos de gatas maravilhosas,
ou até mesmo fotos de mim gato maravilhoso. Mas coloquei essa
pra dar boas-vindas ao Punk gente boa ao clube dos estômagos reduzidos.
O cara tá ainda no recém, só na aguinha de coco e no caldinho coado.
Depois vem as papinhas, iogurtes, gelatinas...
Valeu, João, saúde!!



Por: Cláudio Bettega - 12:39 PM :: | Toque o seu acorde
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O HOMEM; AS VIAGENS
Carlos Drummond de Andrade


O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua,
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?

Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto - é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.




Por: Cláudio Bettega - 9:31 AM :: | Toque o seu acorde
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Terça-feira, Abril 08, 2003

HOJE TÔ A FIM
DE PASSAR O DIA OUVINDO
PAULEIRA!!!
YYYEEEAAAHHH!!!






Por: Cláudio Bettega - 1:08 PM :: | Toque o seu acorde
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E porque todo mundo tem seu lado boiola, meu top list de montagens teatrais.

* "A Vida é Cheia de Som e Fúria", adaptação de Felipe Hirsch do livro "Alta Fidelidade", de Nick Hornby
* "New York por Will Eisner", adaptação e direção do curitibano Édson Bueno
* "Mistérios de Curitiba", da obra de Dalton Trevisan, adaptação e direção de Ademar Guerra
* "O Vampiro e a Polaquinha", idem
* "Uma Noite na Lua", com Marco Nanini, direção de João Falcão


Banco de reservas

* "Gata em Teto de Zinco Quente", com Vera Fisher
* "Rei Lear", Shakespeare com Paulo Autran, direção de Ulisses Cruz
* "Dias Felizes", de Samuel Becket, com Fernanda Montenegro
* "Bonitinha mas Ordinária", de Nélson Rodrigues, com a delícia Helena Ranaldy
* "Sonhos de Uma noite de Verão", Shakespeare dirigido por Cacá Rosset




Por: Cláudio Bettega - 11:01 AM :: | Toque o seu acorde
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Aproveitando a idéia dos meditaboys, meu top list de novelas. Pantanal não consta porque não a acompanhei, embora seja unanimidade. As poucas cenas que vi, gostei muito. Banhos de rio, muita luz, cantorias, mulheres deliciosas. Mas nem sei qual foi a história.

*Guerra dos Sexos
*4x4
*Renascer
*Roque Santeiro
*Vale Tudo

Banco de reservas

*Vamp
*A Indomada
*A Próxima Vítima
*O Dono do Mundo
*O Rei do Gado


"Casarão" foi talvez a única novela que meu pai, crítico de cinema, gostou. Mas não me lembro dela, eu era muito menino.




Por: Cláudio Bettega - 10:48 AM :: | Toque o seu acorde
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Segunda-feira, Abril 07, 2003

THERE IS A LIGHT THAT NEVER GOES OUT
Morrissey

Take me out tonight
where there's music and there's people
who are young and alive
driving in your car
I never never want to go home
because I havent got one
anymore
because I want to see people and I
want to see lights
driving in your car
oh please dont drop me home
because it's not my home, it's their
home, and Im welcome no more
and if a double-decker bus
crashes into us
to die by your side
such a heavenly way to die
and if a ten ton truck
kills the both of us
to die by your side
the pleasure and the privilege
is mine
take me out tonight
oh take me anywhere, I dont care
and in the darkened underpass
I thought Oh God, my chance has come at last
(but then a strange fear gripped me and I
just couldnt ask)
take me out tonight
take me anywhere, I dont care
just driving in your car
I never never want to go home
because I havent got one
I havent got one


WHO WANTS TO TAKE ME OUT TONIGHT?




Por: Cláudio Bettega - 7:25 PM :: | Toque o seu acorde
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Domingo, Abril 06, 2003

Nos anos 80, Jânio de Freitas, excepcional analista político da Folha de S. Paulo, também comentava sobre Fórmula 1 no periódico. Eram os anos do Piquet e, a cada vitória do brasileiro, Jânio dizia que o comportamento do Galvão Bueno na narração, e por conseguinte da Globo, era fazer o telespectador pensar que a Rede tinha tudo a ver com aquilo, era a responsável direta pelo que estava acontecendo na pista. Aliás, como ela faz com a maioria dos acontecimentos nacionais.
Hoje, depois de muitos Grandes Prêmios a que não dei atenção, resolvi acompanhar a corrida brasileira e, mais que isso, a forma pela qual foi transmitida.
Já no começo, o Rubinho foi isentado de culpa pelo atraso; a culpa era dos pneus, depois do ajuste feito no carro para rodar em pista seca, etc. O Galvão também não tinha culpa de nada. Aí derraparam vários carros, Schumacher inclusive, a pista começou a secar, e o Rubinho passou a se dar bem. De fato, parece que a chuva o tinha atrapalhado. Eis que, Rubinho reajindo, o Galvão solta sua pérola, era "o Brasil inteiro ligado na Globo acompanhando o desempenho perfeito do Rubinho no seco". Aí fodeu. Não sei por quê. Às vezes tenho a impressão de que o cara, quanto mais tenta tirar o máximo do carro, se esforçar, mais ele estraga o carro. Ou tem um descomunal azar, ou é uma merda de piloto, mesmo.
E o Galvão dramatizando. Sua maior decepção com um carro quebrado em toda sua vida de narrador de Fórmula 1.
Rubinho teria que "dar uma imensa volta a pé e ainda passar aqui pela frente do quartel general da Globo no circuito". Talvez, Galvão Bueno quisesse que, ao passar, o piloto fizesse reverências e pedisse desculpas por ter estragado o projeto dominical da Globo de imbecilizar o povo com alegrias fugazes.
Mais uma vez, nada de tema da vitória. Que pena, não é mesmo, Galvão?




Por: Cláudio Bettega - 4:46 PM :: | Toque o seu acorde
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Sábado, Abril 05, 2003

A ROSA DE HIROXIMA
Vinícius de Moraes


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.



Pensem nas crianças do Iraque. Nas mulheres. Nos homens. Pensem nos civis, nos militares de ambos os lados. E rezem por eles. Para Deus ou Alá, que, pra mim, no final das contas, são a mesma entidade. Rezem pelo Bush e pelo Saddam também. Eles precisam de energia para que seus espíritos possam evoluir.




Por: Cláudio Bettega - 1:31 PM :: | Toque o seu acorde
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Sexta-feira, Abril 04, 2003

RODRIGUEANAS

Depois do cinza deprê de ontem (carreguei muito na tinta, moçada, desculpa aí), um pouco da fina inteligência de Nelson Rodrigues. O Nélson, segundo o Nego Lee num texto dos tempos da Faculdade, foi um cara que nasceu pra ser citado. Meu primeiro contato com ele foi quando meu pai me deu um livro de crônicas e outro de contos, de uma coleção que a editora Companhia das Letras estava organizando pelas mãos do escritor Ruy Castro. Hoje, tenho quase todos os números dessa coleção. Adoro sobremaneira as crônicas de futebol, nas quais Nélson espetacularizava qualquer joguinho meia boca do Fluminense nas Laranjeiras, por exemplo. Li também "Asfalto Selvagem - Engraçadinha", um dos livros preferidos da minha vida. Depois comprei o número das "confissões (como ele chamava suas crônicas) culturais", comentários maravilhosos, antológicos mesmo, sobre a cultura brasileira. Preciso agora ler mais as peças teatrais do cara. Já li "Beijo no Asfalto", já vi no Festival de Teatro de Curitiba "Bonitinha mas Ordinária", e depois li o texto também. O último livro do Nélson que comprei, há alguns dias, é o de suas frases. E aqui vai a mais clássica, a mais amada e odiada, proferida num programa de televisão de Hebe Camargo.


"Perguntado se a mulher gosta de carinho, respondi:- 'Pelo contrário. A mulher gosta de apanhar'. Com divertido horror, perguntou-me Hebe Camargo: - 'Todas?'. E eu: - 'Nem todas. Só as normais. As neuróticas reagem'. Foi um sucesso. O estúdio, o auditório e, em casa, os telespectadores, explodiram numa gargalhada só. Ainda hoje encontro senhoras e mocinhas que me dizem, delicadas:- 'Você tem razão!' Claro que não houve unanimidade. Recebi cartas de ouvintes indignadas. Eram as neuróticas. As normais acharam uma graça infinita."




Por: Cláudio Bettega - 9:29 AM :: | Toque o seu acorde
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Quinta-feira, Abril 03, 2003

Sim, Trise, o céu de Curitiba está cinza hoje. Meu céu está cinza. Esteve cinza uma vez, há anos, na cinza São Paulo. Assim como o arrastei cinza para o sol do Rio, o sol de Floripa, para o sol de Salvador. Janeiro, em Curitiba, pra mim é cinza. Assim como Fevereiro, Março, Abril, o ano inteiro. O céu, minha aura, minha alma. Por quê? Não sei. Talvez seja porque...:


"Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que eu achava tão certo,
Teria o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faria floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro...

...Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentei ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço...

...Eu sei - é tudo sem sentido
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que não use o que eu disse
Contra mim...

... Nada mais vai me ferir
É que já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais..."

Trechos de "Andréa Dória", Renato Russo, transpostos da primeira do plural para a primeira do singular.

Trise, venha sempre aqui.




Por: Cláudio Bettega - 6:04 PM :: | Toque o seu acorde
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O inverno vem chegando. Mas será que já vivi algum verão? Será que meu coração não foi sempre pétreo, gélido? Nasci em junho, num puta frio curitibano, e ele tanto me curtiu no berço que, ainda hoje, estou congelado. Congelado nas emoções, veias congeladas, sentimentos congelados. Não sei o que preciso pra mudar. Mudar tudo, a visão sobre o mundo, sobre as pessoas, sentir alguma coisa que me transforme. Quem sabe, ter um objetivo diário. Ou, sentir algo muito forte por alguém...
Sentir... Sinto tanto, e tanto sinto, que nem sei o que é o que sinto, pois, como disse, tudo parece congelado. Tento demonstrar em poemas alguma coisa, mas, e daí? Alguém se comove, ou se interessa, que seja?
E assim vou. Ou, assim fico. Até que alguma coisa mude tudo, ou que eu mude toda a coisa.




Por: Cláudio Bettega - 10:57 AM :: | Toque o seu acorde
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Quarta-feira, Abril 02, 2003

Sim, isso mesmo:
sou poeta
no Brasil!!!
Não sei
jogar futebol
rebolar o tchan
nem alquimizar
reles sub-misticismos

Aqui então
vai poesia
pra te entreter
enriquecer
te fazer
ler
significados vários
em palavras
avaliar
a minha arte
respirar
o imenso sentimento
com que te abraço
e ao mundo

Dinheiro não espero:
só quero criar
propagar a lida
e te mostrar
que a minha humana natureza
traz amor
e beleza.

26.03.2003, by chfb




Por: Cláudio Bettega - 1:55 PM :: | Toque o seu acorde
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Cláudio Bettega (chfb)

 Nascido em Curitiba - PR (onde resido), em 12.junho.1971  

Formado em Publicidade e Propaganda.
Estudante de Teatro.
Poeta.

"O importante não é o que fazem com você, mas o que você faz com o que fazem com você"
Jean Paul Sartre

"A arte nasce a partir do momento em que viver não é mais suficiente para exprimir a vida"

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